Zika vírus prejudica testículo e espermatozoides

Nova pesquisa mostra como o zika vírus pode afetar a fertilidade masculina

O zika vírus leva a redução do testículo, de hormônios sexuais e dos espermatozoides no líquido seminal, segundo pesquisa realizada pela Washington University School of Medicine de St. Louis, nos Estados Unidos, e publicada recentemente pela revista Nature.

Embora o estudo tenha sido feito em ratos machos, infectados com uma adaptação do vírus, os cientistas acreditam que a infecção em humanos pode ter consequências parecidas, uma vez que o zika vírus já foi identificado no líquido seminal de homens e comprovado que há transmissão do vírus pela via sexual.

A equipe da faculdade americana ainda está investigando os efeitos do zika vírus no sistema reprodutivo de ratos machos e abre caminho para descobertas de problemas que podem acometer o sistema reprodutivo humano.

Na pesquisa, o vírus foi detectado no testículo e epidídimo (tubo que armazena e transporta o esperma) dos ratos infectados há sete dias. Após 14 dias, o vírus estava presente em níveis elevados em todo o sistema reprodutivo da maioria dos ratos.

O estudo ainda apontou que houve uma grande diminuição no tamanho e peso do testículo em ratos infectados comparado a animais que não tiveram o vírus injetado. O mesmo ocorreu com danos na produção de sêmen e lesões no tecido do epidídimo.

ZIKA vírus prejudica produção hormonal

A infecção por zika ainda causou redução nos níveis de testosterona e na inibina B, dois importantes hormônios para a produção de esperma.

Estudos de fertilidade preliminares revelaram redução nas taxas de gravidez e fetos viáveis nos ratos infectados em comparação com os animais sem a infecção.

Para concluir os efeitos do zika vírus na vida reprodutiva masculina, mais pesquisas devem ser realizadas.

Por ainda desconhecer os efeitos da infecção pelo zika vírus na fertilidade masculina mas termos comprovada sua transmissão por via sexual, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que pessoas infectadas pelo vírus tenham relações sexuais apenas com preservativo nos seis meses subsequentes.